Lesão nervosa induzida pela quimioterapia

(Fonte: Marx e Figueira, Fisioterapia no Câncer de Mama, ed. Manole, 2017)

Neuropatia periférica

 

 

            A neuropatia periférica induzida pela quimioterapia resulta de um dano ou disfunção de nervos periféricos motores, sensoriais ou autonômicos. Os nervos sensitivos são menos mielinizados do que os motores e por isso são mais comum e precocemente afetados. A variabilidade de sintomas dependerá do tipo de nervo afetado e da gravidade das lesões; e podem durar de meses até anos.

            Os sintomas sensoriais são bastante comuns, tais como dormência, formigamento, sensibilidade ao frio e a síndrome mão-pé (sensação de estar vestindo luvas e meias). O acometimento de nervos distais, em mãos e pés são mais frequentes, pois as fibras distais possuem uma maior área de superfície, desta forma sendo mais atingidas pelos agentes quimioterápicos. Outro sintoma frequente é a dor que se apresenta de forma constante ou intermitente. O envolvimento do nervo de natureza autonômica pode resultar em diarreia ou constipação, sintomas ortostáticos e batimentos cardíacos irregulares. Menos comumente, as mulheres podem relatar problemas de ordem motora, incluindo fraqueza nas pernas, propriocepção prejudicada e deficiências funcionais que comprometem a capacidade de caminhar ou transportar itens,  que interferem nas atividades da vida diária (AVD) e alteram a qualidade de vida.

            Os pacientes com câncer de mama podem apresentar uma predisposição a desenvolver a neuropatia ou sintomas neuropáticos caso apresentem desordens pré-existentes do sistema nervoso periférico, tais como radiculopatias, plexopatias e mononeuropatias. Pacientes que apresentam diabetes, doenças hepáticas, uso frequente de álcool ou são mais idosos têm um risco aumentado de desenvolver neuropatias, independente do câncer.  

            Uma boa avaliação inclui uma história focada nos sintomas do paciente, principalmente dor, alterações de sensibilidade e parestesias; e nas atividades funcionais, como a marcha e as atividades de vida diária, bem como avaliação de força muscular e reflexos.

            A primeira conduta em pacientes que receberão a quimioterapia é a educação e orientação para que sejam capazes de reconhecer e comunicar à equipe de saúde logo aos primeiros sinais e sintomas das neuropatias. A educação também inclui um manejo dos sintomas, para que desde o início se evite outras lesões e quedas.

            Diversas são as orientações, entre as principais: cuidados com a pele, evitar extremos de temperatura, usar calçados confortáveis, entre outros. Além disso, pode-se intervir com estimulação sensorial, dispositivos auxiliares, treino de equilíbrio e marcha, fortalecimento muscular, uso de eletroterapia (TENS E FES), acupuntura, dentre outros.

Cada paciente é único, para tanto, uma avaliação individualizada deve ser realizada.

Procure um fisioterapeuta com experiência na área de oncologia.